Na Vigília Pascal, a bênção do fogo novo é um momento significante. Além de marcar o início da Vigília, possui amplo significado. Ao acender o Círio Pascal e, em seguida, cada fiel acender a sua vela a partir dele, entramos na Igreja agora iluminada por essa luz. Podemos recordar quando os hebreus foram guiados pela coluna de fogo ao atravessarem o deserto. Além disso, o fogo simboliza o Cristo ressuscitado, luz do mundo e vencedor da morte.
“Ó Cristo, sol de justiça, brilhai nas trevas da mente. Com força e luz, reparai a criação novamente” (ORAÇÃO DAS HORAS, 1995, p. 273).
O fogo, elemento essencial para a sobrevivência humana, é também usado para purificar, iluminar e aquecer. Por isso, na liturgia, faz todo sentido utilizar algo tão fundamental, que nos remete a lembrar que o fogo de Deus age em nós: purificando nossos corações do pecado, aquecendo os corações frios, iluminando nossas mentes, transformando nossas vidas e nos tornando mais fortes e perseverantes na fé.
Ademais, o fogo possui profunda ligação com o Espírito Santo: “Apareceram-lhes, então, línguas como que de fogo, que se repartiam e pousavam sobre cada um deles. E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem” (At 2,3-4).
Além de iluminar, o fogo tem a capacidade de transformar: na natureza, consome o que é supérfluo e dá nova forma à matéria. Assim, o Espírito Santo acende em nós a chama da fé, o amor e a coragem de testemunhar Jesus; reacende nossa esperança mesmo nos momentos de escuridão e, sobretudo, desperta em nós a missão de sermos luz no mundo. Como o fogo novo é aceso na Vigília, o Espírito vem reacender o que antes era fraco, transformando corações de pedra em corações ardentes de amor a Deus e ao próximo.
Texto – Rone da Silva Moreira
Seminarista da etapa do discipulado.
BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.
IGREJA CATÓLICA. Oração das Horas: Ofício Divino. Tradução para o Brasil da 2. ed. típica. Coordenação de Frei Alberto Beckhäuser. São Paulo: Paulus, 1995. 16. reimpressão, 2023.