O mês de maio, tradicionalmente dedicado à memória de Nossa Senhora, constitui um tempo privilegiado para a reflexão sobre a dimensão missionária da fé cristã. No contexto paroquial, esse período adquire um significado ainda mais concreto com a realização de dois finais de semana missionários, nos quais seminaristas da etapa do discipulado atuam nas comunidades da Barreirinha e da Sobra. Tal realidade possibilita estabelecer um paralelo fecundo entre a vivência paroquial e o modelo originário de missão encontrado na figura de Maria.
Ao considerar Maria como exemplo de missão, reconhece-se nela a primeira a levar Cristo ao mundo. Essa realidade manifesta-se, primeiramente, em sua plena acolhida do plano divino, ao conceber o Filho de Deus. Além disso, torna-se evidente no episódio da visitação, quando Maria se dirige à casa de sua prima Isabel, levando consigo a presença de Cristo. Nesse encontro, Isabel é tomada pelo Espírito Santo, revelando a força transformadora da presença daquele que Maria traz consigo.
Em Lc 1,38-39, apresenta-se um modelo de ação missionária, evidenciando duas atitudes fundamentais: a entrega à vontade de Deus e a prontidão em pôr-se a caminho. O “sim” de Maria não se limita a uma aceitação interior, mas desdobra-se em ação concreta, caracterizada pela disposição de ir ao encontro de sua prima Isabel. Desse modo, sua atitude revela que a missão nasce da escuta e se realiza no movimento de saída.
À luz desse modelo, compreende-se também o sentido do serviço daqueles que levam a Eucaristia aos doentes e necessitados. Assim como Maria foi portadora de Cristo, esses ministros tornam-se, de modo sacramental, portadores de sua presença. Ao se dirigirem àqueles que não podem participar da comunidade, estes retomam e vivem o gesto da visitação, unindo os gestos do evangelho à prática no mundo atual.
Dessa forma, o tempo mariano, em sintonia com a experiência missionária da Igreja, convida à renovação do compromisso evangelizador. Inspirados pelo exemplo de Maria, os fiéis são chamados a acolher a vontade de Deus e a traduzir essa acolhida em atitudes concretas de serviço e missão. Assim, cada cristão torna-se sinal da presença de Cristo no mundo, testemunhando, por meio de sua vida, a fé que professa e o amor que o Evangelho anuncia.
Referências
BÍBLIA Sagrada: tradução oficial da CNBB. 6.ed. Brasília: CNBB, 2023.
Texto: Sem. Vitor Augusto Xavier Viana.