No quarto domingo do Mês Vocacional, celebrado neste ano em 23 de agosto, a Igreja volta sua atenção para a vocação dos cristãos leigos e leigas. São homens e mulheres que, a partir do Batismo, assumem a missão de testemunhar Jesus Cristo na família, na comunidade, no trabalho e nos diferentes ambientes da sociedade.
A vocação laical não se limita aos serviços realizados dentro da igreja. Ela se manifesta na vida cotidiana, quando o cristão procura agir com honestidade, defender a dignidade humana, cuidar dos mais necessitados e construir relações orientadas pelo Evangelho.
Leigos são todos os fiéis batizados que não receberam o sacramento da Ordem e não pertencem ao estado religioso. Eles formam a maior parte do Povo de Deus e participam plenamente da vida e da missão da Igreja.
A vocação do leigo começa no Batismo e é fortalecida pela Confirmação. Por esses sacramentos, cada cristão recebe o chamado para viver a santidade, anunciar o Evangelho e colaborar com a transformação da sociedade.
O Concílio Vaticano II ensina que o apostolado dos leigos nasce da própria vocação cristã e jamais pode faltar na Igreja. Eles são chamados a viver no meio do mundo e a exercer sua missão como fermento na massa. Vaticano – Apostolicam Actuositatem
A presença dos leigos é indispensável para o funcionamento e para a missão evangelizadora das paróquias. Grande parte das atividades pastorais acontece graças à disponibilidade de pessoas que oferecem seu tempo, seus conhecimentos e seus dons.
Entre os diversos ministérios e serviços exercidos pelos leigos estão:
Cada serviço possui sua importância. A comunidade precisa de pessoas que proclamem a Palavra, preparem as celebrações, acompanhem as famílias, cuidem da comunicação, administrem os recursos e estejam próximas daqueles que passam por dificuldades.
Durante muito tempo, a missão dos leigos foi compreendida apenas como uma ajuda oferecida aos padres e religiosos. Embora a colaboração com os ministros ordenados seja necessária, a vocação laical possui valor e responsabilidade próprios.
Os leigos não são membros de segunda categoria na Igreja. Pelo Batismo, são verdadeiros discípulos missionários e participantes da missão confiada por Cristo a todo o Povo de Deus.
Isso exige uma relação de comunhão e corresponsabilidade. Padres, diáconos, religiosos e leigos possuem vocações diferentes, mas trabalham juntos na mesma missão. Nenhuma vocação pode caminhar de forma isolada.
A atuação dentro da paróquia é apenas uma parte da vocação laical. O campo próprio da missão dos leigos é também o mundo em que vivem.
É na família, no trabalho, na escola, na universidade, na política, na cultura, na economia e nos meios de comunicação que o leigo é chamado a testemunhar a fé.
Um profissional que trabalha com responsabilidade, um comerciante que age com honestidade, um professor que respeita seus alunos, um jovem que rejeita a violência e uma família que acolhe quem precisa também estão vivendo a missão cristã.
O testemunho nem sempre acontece por meio de discursos. Muitas vezes, o Evangelho é anunciado pela maneira de tratar as pessoas, pela seriedade nas decisões e pela coragem de defender aquilo que é justo.
A CNBB recorda que os cristãos leigos e leigas são chamados a ser “sal e luz” na Igreja e na sociedade, participando da transformação do mundo a partir dos valores do Evangelho. CNBB – Vocação dos cristãos leigos e leigas
Para exercer bem sua missão, o leigo precisa de formação humana, bíblica, doutrinal e pastoral. A participação em encontros, cursos, grupos de reflexão e momentos de espiritualidade ajuda a compreender melhor a fé e os desafios da sociedade.
A formação não deve estar separada da oração. A Eucaristia, a escuta da Palavra de Deus e o sacramento da Reconciliação sustentam a vida cristã e impedem que o serviço se transforme apenas em ativismo.
O leigo bem formado também consegue dialogar com outras pessoas, apresentar as razões de sua fé e tomar decisões responsáveis diante das questões presentes na família e na sociedade.
Nem todas as pessoas precisam exercer o mesmo serviço. Alguns possuem facilidade para falar em público; outros sabem organizar, acolher, ensinar, cantar, visitar os doentes ou trabalhar com crianças e jovens.
A comunidade cresce quando reconhece esses diferentes dons e ajuda cada pessoa a encontrar seu lugar. O importante é que o serviço não seja realizado para alcançar prestígio, mas como resposta ao chamado de Deus.
Também é necessário evitar que poucas pessoas assumam todas as responsabilidades. Uma paróquia verdadeiramente vocacional sabe convidar, formar e acompanhar novos agentes, permitindo a renovação das pastorais e dos ministérios.
Nesta quarta semana do Mês Vocacional, a Paróquia São Judas Tadeu agradece a todos os leigos e leigas que servem em nossas comunidades.
Agradecemos àqueles que chegam cedo para preparar a igreja, aos que visitam os enfermos, acompanham as famílias, organizam encontros, participam das pastorais e ajudam nas diferentes necessidades da paróquia.
Recordamos também os cristãos que vivem sua fé de maneira coerente no trabalho, na família e na sociedade. Muitas vezes, esse testemunho acontece de forma silenciosa, mas é uma presença importante do Evangelho no mundo.
Senhor Jesus,
nós vos agradecemos
pela vocação dos cristãos leigos e leigas.
Fortalecei aqueles que servem
nas pastorais, nos movimentos,
nos ministérios e nas comunidades.
Acompanhai os que testemunham o Evangelho
na família, no trabalho, nos estudos
e nos diferentes ambientes da sociedade.
Concedei-lhes sabedoria, coragem
e perseverança para promover o bem,
defender a dignidade humana
e construir uma sociedade mais justa e fraterna.
Despertai em nossas comunidades
novos servidores e servidoras,
dispostos a colocar seus dons
a serviço da Igreja e dos irmãos.
Amém.
Texto: Seminarista Rivaldo Luiz Norival Domiciano